segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Industria Cama Patente L. Liscio S.A 
Rua Rodolpho Miranda, 2 (esquina com Av. Tiradentes próximo a Estação Armênia).


A Cama Patente, foi projetada por Celso Martínez Carrera (1883-1955), espanhol da Galiza radicado em São Paulo, que emigrara para o Brasil em 1906.
Foi projetada em 1909 e comercializada a partir de 1915, confeccionada com madeiras torneadas, com formas simples, linhas puras e leves. composta por um conjunto básico de três partes, cabeceira, suporte para o pé e estrado, conceito funcional e eficiente, industrializada a preços populares.
Fabricada inicialmente para atender a uma clinica médica em Araraquara/SP  em substituição as camas de ferro usadas em hospitais, que eram importadas da Inglaterra e com o inicio da 2ª Guerra Mundial foi prejudicada.
Luigi Liscio (1884 – 1974), que chegara ao Brasil em 1894, se aproveitando de um descuido de Celso Martínez Carrera, patenteou a cama como se fosse sua invenção e Celso teve que parar a fabricação das mesma em sua Fábrica de Móveis Carrera.  
Industria Cama Patente L. Liscio fundada em Araraquara em 1919, no mesmo ano transferiu-se para São Paulo onde funcionou ate 1968.
Apesar de ter sua origem tumultuada sobre a sua invenção essa industria se tornou na primeira grande industria de moveis no pais, e se tornou grande sucesso de vendas sendo comercializadas nas principais redes de lojas de departamentos da época, como o Mappin e o Mesbla, Cássio Muniz e Casa Alemã.
O diferencial era o sistema de montagem que dispensava porcas e parafusos, eram usadas alças com contra pinos que agilizavam a montagem; estrados com mola de tensão e ganchos especiais, que impedem deformações e aumentam a elasticidade; a cabeceira era apenas um arco de madeira vergada.
Sendo um modelo muito copiado, foi então criado um Selo Azul, que identificava a legítima Cama Patente. 
Cama de solteiro executada em dois tipos de madeira roliça, composta por um conjunto básico de três elementos: cabeceira, peseira e estrado. A cabeceira, mais alta que a peseira, ambas com as extremidades das barras com elementos torneados vergados em madeira clara; as grades são vazadas, compostas por um elemento horizontal e quatro colunas delgadas verticais dispostas de duas a duas com espaços diferenciados. O estrado de molas é afixado nas duplas travessas laterais. 
No inicio eram  fabricadas de imbuia e pinho, depois substituídas por sucupira, amendoim, marfim e, até jacarandá
 Os pés afinam para baixo com pequeno torneado (parecendo um anel que envolve a madeira) próximo ao solo. O estrado, armado num conjunto de duas travessas paralelas de madeira roliça de cada lado, consiste em molas de suspensão de boca quadrada, tecida na própria rede do estrado, em arame galvanizado, dela fazendo parte integrante; é encaixado na cabeceira e peseira através de peças metálicas em forma de “L”. A cabeceira e peseira são compostas por um gradeado de elementos horizontais e verticais torneados; as junções das barras das extremidades superiores são feitas por peças em madeira clara vergadas, fresadas e encaixadas por espigas. (Descrição de um Inventario de Acervo Cultural da Prefeitura de Uberlândia MG)(http://www.uberlandia.mg.gov.br/uploads/cms_b_arquivos/3193.pdf)
A linha de produção incluía berços, poltronas e mesas de centro, e ate guarda roupas.
Seu design foi retomado em versões contemporâneas, como a nova Cama Patente de Fernando Jaegger, que foi fabricada na década de 1980 e foi comercializada pela rede de distribuição de móveis contemporâneos Tok & Stok.
Sobre a adoção do nome "Patente" acredita-se que essa uma referencia ao fato de que Luigi se aproveitou de Celso não ter requerido a patente de sua invenção.
fontes: 
vitruvius.com wikipedia uberlandia.mg

fotos: vitruvius.com (exposto em "Cama Patente", no Sesc Araraquara)





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