segunda-feira, 22 de maio de 2017

Operação Bandeirante

Em 18 de fevereiro de 1967, o coronel Francisco Américo Fontenelle, da inicio a Operação Bandeirante, cujo objetivo era melhorar a circulação de carros na região central da capital paulista, com a criação de um sistema viário baseado em rótulas e bolsões de estacionamento.
Ele era diretor do Departamento Estadual de transito do Rio de Janeiro e já tinha organizado o transito de Belém e São Luis. e foi convidado pelo Governador Abreu Sobre para dirigir o transito de São Paulo, na época com cerca de 350 mil veículos,  muito menos do que hoje, mas o sistema viário não recebia os cuidados necessários para comportá-lo, vias com sentidos de circulação conflitantes, semáforos desregulados, sinalização inexistente e principalmente a ausência da estruturação hierarquizada do sistema viário, transformavam as viagens dos paulistanos num inferno diário.
O sistema era simples e consistia em: 
        Criação dos dois anéis que circundam o centro da cidade, denominados Rótula e Contra-Rótula, evitando que uma grande quantidade de viagens precisasse cruzar o centro velho:
        Estabelecimento de eixos radiais e diametrais para equacionar as ligações de longa distância e servir de suporte aos ônibus;     
        Alteração da circulação de 185 vias nos bairros do Brás, Ipiranga, Móoca, Itaim e Vila Mariana, utilizando o conceito de binário (duas vias paralelas, cada uma com mão única num sentido), novidade para a época;
         Remanejamento dos terminais rodoviários para desafogar o centro velho;
         Instalação de quatro terminais de ônibus urbanos;
         Criação de bolsões de estacionamento.        
E armou a maior confusão na cidade pois apesar de o plano ser viável, não contou com apoio de outros órgãos relacionados  e a insuficiência e a desorientação dos agentes de trânsito.
Falava-se em sabotagem mas nunca se provou, a verdade e que a cidade virou um caos, pedestres não conseguiam atravessar as ruas, passageiros de ônibus que não conseguiam chegar ao serviço, comerciantes descontentes pois a mudança nas mãos de direção e a proibição de se estacionar afetava em muito suas vendas.
 A insatisfação era tamanha que o prefeito Faria Lima, desabafou  aos jornalistas: “Em todo mundo, o trânsito é de responsabilidade das prefeituras. Entretanto, aqui não”. na época transito era de responsabilidade do governo estadual. 
O coronel determinou que os agentes de transito esvaziasse os pneus dos carros estacionados em lugares proibidos chegando ele mesmo a fazer isso sendo fotografado ao lado de seu filho.
O governador Roberto Abreu Sodré, pressionado por deputados, empresários e pela opinião pública, exonerou Fontenelle.
poucos dias apos sua demissão o Coronel dava entrevista ao programa “Roleta Russa”, da TV Paulista, para falar sobre a Operação Bandeirante, e súbito sentiu-se mal e caiu, Fontenelle teve um infarto fulminante em frente às câmeras, aos 46 anos, sendo sepultado na Cidade do Rio de Janeiro.
Mas hoje temos que reconhecer a ideia era boa e a estrutura básica criada pelo Cel. Fontenelle permanece até hoje como a espinha dorsal do sistema viário da cidade,  A Rótula, Contra-Rótula juntamente com os eixos radiais e diametrais, bem como a concepção da circulação nos bairros citados permanecem fiéis à configuração de 1967. 
fontes: acervofolha. sinaldetransito
fotos: acervofolha.
Área interna da Rotula principal.


Charge ironiza a Operação.

Coronel e seu filho esvaziando pneu de carra estacionado em lugar proibido.



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